O cheiro de café em suas mãos inebriava os pensamentos, invadia docemente as narinas e aflorava até os anseios mais adormecidos. Seu gosto era peculiar! Parecia que sempre precisaria de mais uma colherada de açúcar pra está no ponto. Seu toque era quente! Daquele que arrepia e gela antes de queimar. Sua fala era suave! Parecia que pra ele era mais importante ser sentido do que ouvido. Porém eu, caro leitor, sempre fui morna. E, surpreendentemente, este turbilhão de sensações deixava-me febril, em êxtase, e a beira de um abismo com os nervos fervilhando e uma vontade dos diabos de pular, mas, como disse antes, sempre fui morna e todos que possuem essa característica recuam! O medo me fez perceber a verdadeira dimensão da queda e que esta seria dolorosa pra quem não tivesse asas.  Então, fui convencida que recuar era o certo a ser feito. E logo, o cheiro do café foi desaparecendo, o gosto ficando amargo, o toque esfriando e a fala apenas sendo ouvida pela obrigação de ser. Naquele instante, a certeza que saltar era só um delírio foi tão absoluta que até o abismo sumiu! 

Por: Rose Bonifácio 

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