O telefone tocou. Alguém chorava do outro lado. Não fazia ideia de quem. Há meses falava apenas o costumeiro “Bom dia!” com quem me aparecesse no elevador, e até essa expressão de educação forçada queria liquidar.  A pessoa perguntou por um nome desconhecido, tentei dizer que era engano, mas não me foi dado tempo. Nomes, locais e acontecimentos eram-me cuspidos através do aparelho, sem direito a resposta. Não dei atenção às palavras, ansiava apenas por um pequeno espaço, queria dizer “É engano” e pôr fim àquele monólogo, mas não me foi permitido.

Não conseguia desligar e, sem querer, comecei a escutar. Não eram grandes problemas, não precisavam de soluções mirabolantes… Foi bom não ter dito isso. O choro cessou, suas palavras tornaram-se mais claras, mas ainda não havia trégua. Em meio a isso, meus pensamentos vagavam outra vez, e volta e meia retornavam ao estranho caso.

E antes que pudesse fazer qualquer grande reflexão a respeito da vida e suas complicações, o telefone ficou mudo. 

Lais Lane. 

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