Sob pressão

O moço ali do lado queria que eu falasse da sua infância, época de meninice, como ele mesmo já disse tantas vezes. A garota que está sentada à minha frente quer que eu fale de amor, que busque razões para o que ela sente, que fale do que ela ainda não admitiu em voz alta, que crie uma declaração para o cara sentado ao lado dela. O garçom sorri com jeito de escárnio, e aposto que ele gostaria que eu criticasse algum comportamento. A criança, sentada à mesa com os pais, entendia-se com a conversa, e, agora mesmo, deve estar imaginando dragões e cavaleiros, espadas e os seus heróis, e, naturalmente, ela se sentiria feliz se eu estivesse escrevendo sobre isso. Já o tiozinho do pastel, do outro lado da rua, me olha como se eu guardasse a chave de algum mundo. E, para todos eles, essas palavras podem ser qualquer coisa.

Por: Lais Lane.

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